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Brigas, excesso de visitantes e falta de controle pressionam destinos turísticos do litoral brasileiro

Mídia Povo
Brigas, excesso de visitantes e falta de controle pressionam destinos turísticos do litoral brasileiro
Foto: Johnny Bianchi
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O crescimento recorde do turismo no Brasil, celebrado pelo governo federal com a marca de 9,2 milhões de visitantes internacionais em 2025, tem produzido efeitos colaterais em destinos populares, onde a falta de planejamento urbano e de políticas públicas passou a gerar conflitos, violência e degradação ambiental.

Às vésperas do réveillon, agressões envolvendo barraqueiros e turistas em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, e em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, escancararam problemas associados à superlotação, à exploração irregular de serviços e à sobrecarga da infraestrutura local.

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Medidas emergenciais nas praias

Após o episódio em Porto de Galinhas, que resultou no indiciamento de 14 pessoas pela Polícia Civil, a prefeitura de Ipojuca proibiu a exigência de consumação mínima nas areias. Outras cidades adotaram medidas semelhantes para tentar conter abusos.

Em Niterói (RJ), o valor do aluguel de barracas foi limitado a R$ 22,85. Já Florianópolis (SC), Arraial do Cabo (RJ) e Ubatuba (SP) reforçaram a fiscalização sobre atividades comerciais nas praias durante a alta temporada.

Apesar de Porto de Galinhas ter recebido 1,2 milhão de visitantes em 2025 — ante 937 mil em 2019 —, o município ainda enfrenta problemas estruturais, como saneamento precário, crescimento desordenado e favelização. Hoje, Ipojuca tem o terceiro maior PIB de Pernambuco, impulsionado pelo turismo, mas sem avanços proporcionais em infraestrutura urbana.

Taxas e limites em áreas ambientais

O avanço do turismo também pressiona áreas de proteção ambiental. Em destinos como Jericoacoara (CE), Ilha Grande (RJ) e Morro de São Paulo (BA), a cobrança de taxas de visitação gerou disputas judiciais.

Nos Lençóis Maranhenses (MA), reconhecidos recentemente como Patrimônio Natural Mundial pela Unesco, gestores estudam impor um limite diário de visitantes. A visitação ao parque nacional cresceu 191% desde a pandemia, saltando de 141 mil em 2019 para 440 mil em 2024.

Municípios da região, o ICMBio e representantes da comunidade local avaliam o impacto ambiental do fluxo crescente, especialmente o risco de contaminação do lençol freático, segundo operadores de turismo que atuam na área.

Turismo cresce mais rápido que o planejamento

Especialistas apontam que o cenário atual se repete em diversos destinos brasileiros. Estudos da Universidade Federal de Pernambuco já alertavam, desde meados dos anos 2000, para a expansão urbana desordenada em Ipojuca, sem que os projetos de requalificação fossem totalmente executados.

A pesquisadora Mariana Aldrigui, da USP, avalia que as políticas públicas de turismo no Brasil ainda priorizam a promoção de destinos, sem planejamento territorial adequado.

— A massificação não acontece de forma repentina. Os sinais aparecem, mas a reação costuma vir apenas quando o problema já explodiu — afirma.

Recordes e desafios

Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico de turistas estrangeiros, com crescimento de 37% em relação ao ano anterior. Argentinos lideraram o ranking, seguidos por chilenos, norte-americanos, paraguaios e uruguaios. O turismo interno também avançou, ampliando a pressão sobre cidades pequenas e médias.

A secretária-executiva do Ministério do Turismo, Ana Carla Lopes, defende uma política integrada entre poder público, setor privado e sociedade civil, com soluções adaptadas à realidade de cada destino. Segundo ela, a cobrança de taxas pode ser necessária em locais mais vulneráveis para conter o turismo de massa.

O ICMBio reconhece que a superlotação é uma realidade nos principais parques nacionais e afirma que trabalha com monitoramento constante e ajustes nas regras de uso. Já o Ministério do Turismo diz investir em programas de turismo responsável e na diversificação de destinos para reduzir a concentração de visitantes.

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