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Datafolha aponta desalinhamento entre ideologia declarada e apoio a Lula e Bolsonaro

Mídia Povo
Datafolha aponta desalinhamento entre ideologia declarada e apoio a Lula e Bolsonaro
Lula e Bolsonaro durante debate na disputa presidencial de 2022. Foto: Renato Pizzutto/Band.
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Uma pesquisa do instituto Datafolha divulgada na noite desta sexta-feira expõe um descompasso entre a identidade ideológica dos brasileiros e sua adesão a lideranças políticas. O levantamento mostra que mais de um terço dos eleitores que se dizem petistas se identificam como de direita, enquanto uma parcela relevante dos bolsonaristas afirma ter posições de esquerda.

O estudo buscou medir, de forma separada, a afinidade com lideranças políticas e a autodefinição ideológica. Para identificar o alinhamento a Lula ou Bolsonaro, os entrevistados foram convidados a se posicionar em uma escala de 1 a 5, em que os valores mais baixos indicavam proximidade com o bolsonarismo e os mais altos com o petismo. Já a ideologia foi aferida em outra escala, de 1 a 7, indo da esquerda à direita.

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Petistas que não se veem à esquerda

O cruzamento dos dados revela que, entre os entrevistados classificados como petistas, 34% afirmam se identificar como de direita ou centro-direita. Apenas 47% se colocam na esquerda ou centro-esquerda. Outros 9% se definem como de centro, enquanto uma parcela semelhante diz não saber como se classificar.

Os números indicam que o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está necessariamente atrelado a uma identidade ideológica de esquerda para uma parte expressiva de seus eleitores.

Bolsonarismo majoritariamente à direita, mas com exceções

No grupo dos bolsonaristas, a convergência com a direita é mais forte, mas também apresenta desvios. Segundo a pesquisa, 76% se dizem de direita ou centro-direita. Ainda assim, 14% afirmam ser de esquerda ou centro-esquerda, enquanto 8% se colocam no centro e 2% não souberam responder.

O resultado aponta que, embora o bolsonarismo esteja mais associado à direita, o vínculo ideológico também não é homogêneo.

Especialistas apontam personalismo e confusão conceitual

Cientistas políticos ouvidos pela Folha de S. Paulo avaliam que o fenômeno pode ser explicado por múltiplos fatores. Entre eles estão a dificuldade de parte do eleitorado em definir com clareza os conceitos de esquerda e direita, o peso do carisma pessoal de Lula e Jair Bolsonaro e o ambiente de forte polarização política que marcou os últimos anos no país.

Lideranças competem com rótulos ideológicos

Os dados gerais do levantamento reforçam esse cenário. Segundo o Datafolha, 47% dos brasileiros se identificam como de direita ou centro-direita, enquanto 28% se dizem de esquerda ou centro-esquerda. Em paralelo, 40% afirmam ter afinidade com o petismo e 34% com o bolsonarismo.

O resultado sugere que as grandes lideranças políticas ocupam um espaço tão ou mais relevante que as categorias ideológicas tradicionais na forma como os eleitores brasileiros se posicionam no cenário político.

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