O mercado de trabalho brasileiro dá sinais de alerta com a nova alta da taxa de desemprego. No trimestre encerrado em janeiro, a taxa de desocupados subiu para 6,5%, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE. O aumento reforça um quadro de desaquecimento econômico e preocupa especialistas.
A taxa de 6,5% marca um crescimento em relação aos 6,2% registrados em dezembro de 2024, consolidando a primeira alta após oito trimestres de estabilidade. O número de desempregados alcança 7,2 milhões de brasileiros, evidenciando dificuldades para quem busca recolocação profissional.
Economia estagnada e impacto no emprego
A alta do desemprego ocorre em um momento de desaquecimento econômico impulsionado pelo aumento dos juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic de 10,50% ao ano para 13,25%, e uma nova alta para 14,25% é esperada em março. Essa política monetária mais restritiva impacta diretamente setores que geram emprego, como construção civil e indústria.
O Produto Interno Bruto (PIB) também deve sofrer as consequências desse cenário. Para 2025, as previsões indicam um crescimento próximo de 2%, bem abaixo dos 3,5% estimados para 2024. Com a atividade econômica mais fraca, a geração de empregos tende a desacelerar ainda mais.
Previsões para 2025: desemprego deve subir ainda mais
A expectativa de especialistas é que a taxa de desemprego continue crescendo ao longo do ano. Projeções do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre) indicam que a desocupação pode chegar a 7,3% até dezembro de 2025. Já a consultoria LCA 4intelligence estima um patamar de 7% para o ano.
Mesmo com a possibilidade de uma supersafra na agropecuária, o impacto na geração de empregos é limitado. O economista Bruno Imaizumi, da LCA, destaca que “a agropecuária não é expressiva na criação de vagas, e o desaquecimento da economia pode frear ainda mais a contratação em outros setores”.
Trabalhadores enfrentam incertezas
Com o aumento do desemprego e um crescimento econômico fraco, os brasileiros devem enfrentar um mercado de trabalho mais competitivo e menos oportunidades. Além disso, a alta dos juros impacta diretamente o consumo e os investimentos, tornando a retomada do emprego ainda mais difícil.
Para os trabalhadores, o momento exige cautela e preparação. Com a previsão de aumento da desocupação, buscar capacitação e alternativas no mercado se torna essencial para driblar o cenário adverso.

