O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29) que forças americanas destruíram uma área de atracação de embarcações na Venezuela supostamente utilizada pelo narcotráfico. A ação representa o primeiro ataque confirmado em solo venezuelano desde o início da campanha militar de Washington contra o país.
Segundo Trump, o alvo ficava na costa e era usado para o carregamento de barcos com drogas. “Houve uma grande explosão na área de um cais onde carregam as embarcações. Atacamos todas as embarcações e agora a zona não existe mais”, declarou a jornalistas. O presidente não informou o local exato nem se a operação foi conduzida pelas Forças Armadas ou pela Agência Central de Inteligência (CIA).
A confirmação pública ocorre dias depois de Trump ter mencionado o episódio em uma entrevista à rádio WABC, de Nova York, na sexta-feira (26). Na ocasião, ele disse que uma “grande instalação” havia sido eliminada, sem citar diretamente a Venezuela, e a declaração passou quase despercebida.
Silêncio oficial e falta de detalhes
Após as declarações desta segunda-feira, órgãos do governo americano evitaram comentar. O Pentágono e a CIA disseram não ter informações a compartilhar, enquanto a Casa Branca se recusou a dar esclarecimentos adicionais. Até o momento, o governo venezuelano também não se manifestou oficialmente.
De acordo com o jornal The New York Times, integrantes do governo americano afirmaram que Trump se referia a uma estrutura utilizada por narcotraficantes em território venezuelano, o que reforça a caracterização do ataque como uma ação em terra — algo inédito na atual ofensiva.
Pressão militar crescente
Desde agosto, os Estados Unidos intensificaram a pressão militar e econômica sobre a Venezuela. Washington deslocou para o Caribe um amplo contingente, incluindo navios de guerra, submarinos nucleares, drones, bombardeiros e o maior porta-aviões do mundo, sob a justificativa de combater o narcotráfico internacional.
Até então, as ações divulgadas oficialmente se limitavam a ataques em águas internacionais contra embarcações supostamente usadas por traficantes, além da apreensão de petroleiros ligados ao governo de Caracas. Mais de 25 ataques marítimos já foram realizados, com ao menos 95 mortos, segundo balanços divulgados por autoridades americanas.
Objetivo além do narcotráfico
Apesar da justificativa formal, indícios apontam que a estratégia americana vai além do combate às drogas. O governo Trump elevou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e autoridades americanas, sob anonimato, indicam que a meta final seria forçar a saída do líder do poder.
Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone em novembro, mas as negociações não avançaram. Paralelamente, os Estados Unidos passaram a bloquear e confiscar petroleiros venezuelanos, acusando Caracas de usar a venda de petróleo para financiar atividades criminosas.
Críticas internacionais
A escalada militar também gerou reação internacional. Especialistas designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU classificaram o bloqueio naval imposto pelos EUA como uma violação do direito internacional e um “ataque armado”. Em reunião recente do Conselho de Segurança, Rússia e China criticaram duramente a postura de Washington, chamando-a de intimidação.
Enquanto isso, não está claro se o ataque confirmado por Trump será um episódio isolado ou o início de uma nova fase da ofensiva americana em território venezuelano.

