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Governo intensifica articulação para adiar votação que equipara facções ao terrorismo

Mídia Povo
Governo intensifica articulação para adiar votação que equipara facções ao terrorismo
Foto: Ricardo Stuckert / PR
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O governo federal mobilizou sua base para tentar impedir, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, a votação de um projeto que classifica facções criminosas como grupos terroristas. A estratégia é enfraquecer a proposta da oposição e priorizar o avanço do chamado projeto de lei antifacção, idealizado pelo Palácio do Planalto.


Pressão Política e Articulação no Congresso

  • A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, passou o dia em contato com parlamentares para evitar que a sessão avance.
  • Paralelamente, o governo atua para assumir o controle da CPI do Crime Organizado, cuja instalação também está marcada para esta semana.

Por que o Governo Quer Desvincular Facções do Conceito de Terrorismo

  • O projeto da oposição busca equiparar organizações como PCC e Comando Vermelho a grupos terroristas, o que resultaria em penas mais duras e aumento da atuação federal no combate ao crime.
  • A gestão Lula defende que essa classificação pode trazer efeitos internacionais indesejados, como:
    • Risco de intervenções externas em território brasileiro.
    • Impactos econômicos, como sanções financeiras, restrição de investimentos e aumento no custo de seguros internacionais.
  • Segundo aliados do governo, admitir oficialmente a presença de terroristas no país pode afetar a soberania nacional.

O Projeto de Lei Antifacção: A Resposta do Planalto

A proposta do governo cria uma tipificação penal específica para facções criminosas, prevendo:

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  • Aumento de penas.
  • Ampliação de ferramentas de investigação, como:
    • Infiltração de agentes.
    • Criação de empresas de fachada.
    • Confisco antecipado de bens ligados às organizações.
  • Maior participação da União na segurança pública, alinhado à PEC da Segurança enviada em abril.

O PT argumenta que a proposta governista já é mais rigorosa no mínimo da pena do que o próprio crime de terrorismo.


Disputa de Narrativas na CCJ e no Plenário

  • O relator na CCJ é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que já sinalizou alinhamento com a pauta da oposição.
  • A oposição quer que o projeto do governo seja apensado ao texto que altera a Lei Antiterrorismo, o que permitiria uma votação conjunta.
  • O Planalto considera essa manobra inaceitável e afirma que irá trabalhar para barrá-la.

CPI do Crime Organizado: Novo Frente de Tensão

No Senado, a disputa também avança:

  • A CPI tem maioria de parlamentares oposicionistas.
  • A direita tenta eleger Flávio Bolsonaro para a presidência e transformar o colegiado em palanque político.
  • O governo articula apoio para Fabiano Contarato (PT-ES) assumir o comando.
  • O senador Jaques Wagner (PT-BA) deve integrar a comissão para enfrentar lideranças bolsonaristas nos debates.

A disputa entre governo e oposição sobre como tratar facções criminosas reflete não apenas divergências sobre segurança pública, mas também um xadrez político de alta tensão que envolve questões de soberania, economia e controle de narrativas no Congresso. O desfecho das votações e da CPI deverá impactar diretamente o cenário político e jurídico dos próximos meses.

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