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Governo prevê devolver até R$ 2 bilhões a aposentados e pensionistas do INSS por descontos indevidos

Governo prevê devolver até R$ 2 bilhões a aposentados e pensionistas do INSS por descontos indevidos
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda estima que o ressarcimento aos aposentados e pensionistas do INSS vítimas de descontos irregulares pode chegar a até R$ 2 bilhões. A previsão foi feita pelo ministro Fernando Haddad após a identificação de cobranças indevidas feitas por associações e sindicatos desde março de 2020.

Segundo dados oficiais, os descontos totalizaram cerca de R$ 5,9 bilhões nos últimos cinco anos. A expectativa do governo é restituir entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões, valor baseado nas manifestações recebidas pelos canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS e o telefone 135.

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Como funcionavam os descontos indevidos no INSS

As cobranças eram referentes a mensalidades associativas, como serviços de assistência jurídica ou médica, que deveriam depender de autorização expressa dos beneficiários. Porém, muitos aposentados sequer tinham conhecimento das deduções, geralmente de pequeno valor e pouco perceptíveis.

A irregularidade veio à tona após uma operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) deflagrada em abril, que apura um possível esquema nacional envolvendo entidades sindicais, associações e empresários.

INSS começa a devolver valores já retidos

Mesmo antes da conclusão da investigação, o governo decidiu reembolsar R$ 292 milhões em descontos aplicados na folha de pagamento de abril. A devolução será feita automaticamente, entre os dias 26 de maio e 6 de junho, conforme o final do benefício. Não é necessário fazer solicitação.

Confira abaixo o calendário de devolução para quem recebe até um salário mínimo:

Final do benefícioData da devolução
126 de maio
227 de maio
328 de maio
429 de maio
530 de maio
62 de junho
73 de junho
84 de junho
95 de junho
06 de junho

Para quem recebe acima de um salário mínimo, o pagamento segue o seguinte cronograma:

Final do benefícioData da devolução
1 e 62 de junho
2 e 73 de junho
3 e 84 de junho
4 e 95 de junho
5 e 06 de junho

Mais de 2 milhões de solicitações de reembolso

Nos primeiros 10 dias de consulta, mais de 2 milhões de beneficiários confirmaram que não autorizaram os descontos e pediram ressarcimento. Segundo o INSS, 97,8% dos acessos resultaram em pedidos de devolução.

Após a manifestação dos segurados, o governo notificou as associações envolvidas, que terão 15 dias úteis para apresentar provas de consentimento. Caso não comprovem a autorização, terão mais 15 dias úteis para devolver os valores.

Justiça já bloqueou R$ 2,5 bilhões de entidades

A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou o bloqueio de R$ 2,5 bilhões em bens de 12 entidades investigadas. Haddad afirmou que, caso os valores bloqueados não sejam suficientes, o governo poderá recorrer a outras medidas legais ou até mesmo a um crédito extraordinário, instrumento que permite despesas fora do teto fiscal em situações emergenciais.

Apesar disso, o ministro ressaltou que ninguém será prejudicado e que os responsáveis deverão ressarcir os cofres públicos, inclusive com o próprio patrimônio pessoal.

Ressarcimento total pode depender de acordo judicial

Embora a devolução dos valores de abril esteja garantida, o pagamento retroativo até 2020 dependerá de um acordo judicial para evitar questionamentos futuros. A AGU está preparando uma estratégia para agir rapidamente, assim que o número final de descontos irregulares for consolidado.

CPI do INSS deve ser instalada em junho

A oposição aproveitou o escândalo para impulsionar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as fraudes no INSS. A CPI deve ser instalada no Senado no mês de junho, conforme informou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Ministro elogia atuação da CGU e critica gestão passada

Haddad elogiou a atuação do ministro da CGU, Vinícius Carvalho, que acionou a Polícia Federal em 2023. Segundo ele, houve inércia por parte das autoridades que receberam denúncias ainda durante o governo anterior, entre 2019 e 2020.

“O ministro Vinícius fez um trabalho extraordinário. Em 2023, ele envolveu a PF com dados concretos. Já quem recebeu a denúncia em 2019, 2020, não fez nada”, declarou Haddad.

Apesar dos avanços, o ministro reconheceu que o governo precisa melhorar a comunicação com a população, especialmente nas redes sociais, onde a oposição tem sido mais eficaz.

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