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Inflação dispara 1,23% em fevereiro e atinge maior alta para o mês desde 2016, pressionando o custo de vida

Mídia Povo
Inflação dispara 1,23% em fevereiro e atinge maior alta para o mês desde 2016, pressionando o custo de vida
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de fevereiro de 2025 revela uma realidade preocupante para o brasileiro. O indicador registrou uma alta expressiva de 1,23%, representando um aumento de 1,12 pontos percentuais em relação a janeiro (0,11%). Esta é a maior elevação desde abril de 2022 (1,73%) e o pior resultado para um mês de fevereiro desde 2016 (1,42%). O impacto disso no bolso do consumidor é inegável, e a situação econômica, longe de se estabilizar, continua a gerar apreensão.

Apesar da taxa de 1,23% estar abaixo das previsões do mercado financeiro (que indicavam uma alta de 1,37%), a preocupação persiste: a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,96%, superando a expectativa de 4,50% de janeiro. Com isso, o poder de compra da população continua sendo corroído, e as perspectivas para os próximos meses não são animadoras.

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Habitação e Combustíveis: Fatores Cruciais de Pressão

O grupo Habitação teve a maior contribuição para esse índice, com um aumento de 4,34%, impactando diretamente o orçamento das famílias. A conta de luz, que subiu 16,33%, devido à devolução do bônus de Itaipu, foi o grande vilão. A disparada nos preços da energia elétrica, após a queda em janeiro, levanta questões sobre a sustentabilidade dessa alta e os efeitos diretos no custo de vida das famílias brasileiras. Para completar o cenário alarmante, a taxa de água e esgoto também subiu 0,52%, refletindo reajustes nas tarifas de cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre. Esses aumentos em serviços essenciais pesam ainda mais no orçamento, que já está sobrecarregado com as altas generalizadas.

No setor de combustíveis, o impacto foi igualmente negativo. O aumento de 1,88% nos preços dos combustíveis – em especial da gasolina (1,71%) e do etanol (3,22%) – agrava ainda mais a inflação no setor de Transportes, que teve um crescimento de 0,44%. O reajuste das alíquotas do ICMS e o aumento nos preços nas refinarias, especialmente do diesel (2,42%), refletem diretamente no bolso do consumidor. O aumento contínuo dos combustíveis é um dos maiores vilões da inflação, prejudicando não só o transporte, mas também o preço dos produtos e serviços em diversas outras áreas.

Educação e Alimentação: Aumentos Preocupantes

Outro setor que seguiu a tendência de alta foi a Educação, com um aumento de 4,78%, puxado pelos reajustes de cursos regulares, que subiram 5,69%. Esse aumento foi particularmente notado no ensino fundamental (7,50%) e no médio (7,26%), impactando diretamente o orçamento das famílias, que já enfrentam dificuldades financeiras. Essa elevação de custos em um setor essencial como a educação gera ainda mais incertezas para o futuro das famílias brasileiras.

Por outro lado, o grupo Alimentação e Bebidas teve uma desaceleração em fevereiro, mas a alta de 0,61% ainda foi significativa. Embora os preços de alimentos como cenoura (17,62%) e café moído (11,63%) tenham subido, outros itens como arroz (-1,49%) e batata (-8,17%) apresentaram quedas. Mesmo assim, a contribuição de 0,14 ponto porcentual para o IPCA-15 ainda reflete o peso dessa alta na vida cotidiana dos consumidores.

Política Monetária: O Desafio da Selic e a Incerta Recuperação Econômica

A alta do IPCA-15 reflete o cenário desafiador que o Brasil ainda enfrenta. A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) aumente a taxa Selic para 14,25% em sua próxima reunião, em março. Embora esse aumento da Selic tenha o objetivo de controlar a inflação, ele também agrava a situação de endividamento das famílias e torna o crédito ainda mais caro, o que pode prejudicar a recuperação econômica.

Especialistas alertam que a inflação continua a resistir em patamares elevados, com uma inflação estrutural em serviços, como aluguel e alimentação fora do domicílio, dificultando o controle dos preços. Mesmo com sinais de desaceleração em algumas áreas, como saúde e serviços, o alívio parece distante.

Perspectivas: A Inflação Sob Controle?

Embora existam sinais de que a inflação de alimentos e serviços esteja desacelerando, o aumento nos preços de energia, combustíveis e educação continua a pressionar a economia de forma negativa. A trajetória da Selic, as dificuldades fiscais e os constantes reajustes nos preços de bens essenciais são fatores que, ao invés de apontarem para uma recuperação, indicam um longo caminho de desafios pela frente.

Em resumo, os dados do IPCA-15 de fevereiro refletem uma realidade nada animadora: a inflação está longe de ser controlada, e o custo de vida continua a pesar para os brasileiros. Enquanto o governo tenta lidar com o aumento dos preços, as famílias seguem lidando com o impacto de uma economia instável e com incertezas para o futuro próximo.

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