O crescimento econômico do Brasil perdeu força no terceiro trimestre de 2025. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (4), o PIB registrou alta de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, mantendo o ritmo fraco observado nos últimos meses.
- Juros altos e perda de fôlego explicam ritmo mais lento
- Setores da economia apresentam comportamentos distintos
- Consumo perde força e investimentos reagem
- Tarifaço dos EUA teve impacto menor que o previsto
- PIB atinge R$ 3,2 trilhões e cresce 1,8% em um ano
- Expectativas para 2025 e 2026
- Revisões do IBGE e perspectivas
O resultado confirma a tendência de desaceleração vista após o forte desempenho do início do ano, quando a safra recorde impulsionou a economia e garantiu elevação de 1,5% no primeiro trimestre. Desde então, o avanço perdeu tração: 0,3% no segundo trimestre e agora praticamente estabilidade.
A variação de 0,1% ficou um pouco abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava crescimento de 0,2%.
Juros altos e perda de fôlego explicam ritmo mais lento
Analistas do IBGE destacam que a política monetária rígida permanece como um dos principais freios da atividade. Desde setembro de 2024, o Banco Central elevou a taxa Selic até o patamar de 15% ao ano, nível mantido desde junho de 2025.
Segundo a instituição, os juros elevados reduzem o consumo e adiam investimentos, atingindo especialmente setores mais sensíveis ao crédito.
Setores da economia apresentam comportamentos distintos
Apesar do desempenho tímido do PIB, alguns segmentos registraram recuperação:
Serviços
Com maior peso na economia, o setor ficou praticamente estável, avançando apenas 0,1%. O ritmo vem caindo desde o início do ano.
Indústria
A indústria apresentou alta de 0,8%, acelerando frente ao trimestre anterior. O destaque ficou para as indústrias extrativas, com crescimento de 1,7% impulsionado pela extração de petróleo e gás.
A construção civil (1,3%) e as indústrias de transformação (0,3%) também avançaram, após dois trimestres negativos.
Agropecuária
Após queda de 1,4% no segundo trimestre, o setor agropecuário voltou ao campo positivo, subindo 0,4%.
Consumo perde força e investimentos reagem
O consumo das famílias – componente essencial do PIB – praticamente parou, com alta de 0,1%, sentindo diretamente o peso dos juros elevados. Ainda assim, o mercado de trabalho segue forte e impede uma queda mais acentuada.
Na outra ponta, os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram 0,9%, compensando parte da retração do trimestre anterior.
Tarifaço dos EUA teve impacto menor que o previsto
O terceiro trimestre foi marcado pela tarifa imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. O receio de uma freada brusca no comércio exterior não se concretizou.
As exportações subiram 3,3%, enquanto as importações avançaram apenas 0,3%. Segundo o IBGE, muitos exportadores conseguiram redirecionar suas vendas para outros mercados, reduzindo o impacto das barreiras.
PIB atinge R$ 3,2 trilhões e cresce 1,8% em um ano
Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,2 trilhões, o maior nível da série histórica iniciada em 1996. Na comparação anual, a economia cresceu 1,8%, impulsionada por:
- Agropecuária: +10,1%
- Indústria: +1,7%
- Serviços: +1,3%
O resultado veio levemente acima do previsto pelo mercado.
Expectativas para 2025 e 2026
As projeções do mercado financeiro indicam crescimento de 2,16% em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. O Ministério da Fazenda espera desempenho semelhante, com alta de 2,2%.
Para 2026, o mercado prevê avanço de 1,78%, enquanto o governo estima 2,4%.
Revisões do IBGE e perspectivas
O IBGE revisou os dados anteriores: o crescimento do segundo trimestre caiu de 0,4% para 0,3%, enquanto o do primeiro trimestre subiu de 1,3% para 1,5%.
Economistas afirmam que a perda de ritmo já está consolidada, embora os impactos ainda não tenham aparecido integralmente no mercado de trabalho. A expectativa é de uma possível queda de 0,8% no último trimestre, segundo projeções da MB Associados.



