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PIB do Brasil avança apenas 0,1% no 3º trimestre e reforça cenário de desaceleração econômica

Mídia Povo
PIB do Brasil avança apenas 0,1% no 3º trimestre e reforça cenário de desaceleração econômica
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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O crescimento econômico do Brasil perdeu força no terceiro trimestre de 2025. Segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (4), o PIB registrou alta de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, mantendo o ritmo fraco observado nos últimos meses.

O resultado confirma a tendência de desaceleração vista após o forte desempenho do início do ano, quando a safra recorde impulsionou a economia e garantiu elevação de 1,5% no primeiro trimestre. Desde então, o avanço perdeu tração: 0,3% no segundo trimestre e agora praticamente estabilidade.

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A variação de 0,1% ficou um pouco abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava crescimento de 0,2%.

Juros altos e perda de fôlego explicam ritmo mais lento

Analistas do IBGE destacam que a política monetária rígida permanece como um dos principais freios da atividade. Desde setembro de 2024, o Banco Central elevou a taxa Selic até o patamar de 15% ao ano, nível mantido desde junho de 2025.

Segundo a instituição, os juros elevados reduzem o consumo e adiam investimentos, atingindo especialmente setores mais sensíveis ao crédito.

Setores da economia apresentam comportamentos distintos

Apesar do desempenho tímido do PIB, alguns segmentos registraram recuperação:

Serviços

Com maior peso na economia, o setor ficou praticamente estável, avançando apenas 0,1%. O ritmo vem caindo desde o início do ano.

Indústria

A indústria apresentou alta de 0,8%, acelerando frente ao trimestre anterior. O destaque ficou para as indústrias extrativas, com crescimento de 1,7% impulsionado pela extração de petróleo e gás.

A construção civil (1,3%) e as indústrias de transformação (0,3%) também avançaram, após dois trimestres negativos.

Agropecuária

Após queda de 1,4% no segundo trimestre, o setor agropecuário voltou ao campo positivo, subindo 0,4%.

Consumo perde força e investimentos reagem

O consumo das famílias – componente essencial do PIB – praticamente parou, com alta de 0,1%, sentindo diretamente o peso dos juros elevados. Ainda assim, o mercado de trabalho segue forte e impede uma queda mais acentuada.

Na outra ponta, os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram 0,9%, compensando parte da retração do trimestre anterior.

Tarifaço dos EUA teve impacto menor que o previsto

O terceiro trimestre foi marcado pela tarifa imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. O receio de uma freada brusca no comércio exterior não se concretizou.

As exportações subiram 3,3%, enquanto as importações avançaram apenas 0,3%. Segundo o IBGE, muitos exportadores conseguiram redirecionar suas vendas para outros mercados, reduzindo o impacto das barreiras.

PIB atinge R$ 3,2 trilhões e cresce 1,8% em um ano

Em valores correntes, o PIB alcançou R$ 3,2 trilhões, o maior nível da série histórica iniciada em 1996. Na comparação anual, a economia cresceu 1,8%, impulsionada por:

  • Agropecuária: +10,1%
  • Indústria: +1,7%
  • Serviços: +1,3%

O resultado veio levemente acima do previsto pelo mercado.

Expectativas para 2025 e 2026

As projeções do mercado financeiro indicam crescimento de 2,16% em 2025, abaixo dos 3,4% registrados em 2024. O Ministério da Fazenda espera desempenho semelhante, com alta de 2,2%.

Para 2026, o mercado prevê avanço de 1,78%, enquanto o governo estima 2,4%.

Revisões do IBGE e perspectivas

O IBGE revisou os dados anteriores: o crescimento do segundo trimestre caiu de 0,4% para 0,3%, enquanto o do primeiro trimestre subiu de 1,3% para 1,5%.

Economistas afirmam que a perda de ritmo já está consolidada, embora os impactos ainda não tenham aparecido integralmente no mercado de trabalho. A expectativa é de uma possível queda de 0,8% no último trimestre, segundo projeções da MB Associados.

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