O prefeito Eduardo Pimentel esteve em Brasília nesta terça-feira (8) para reforçar uma pauta antiga da capital: a retirada das linhas férreas de carga que ainda cortam a área urbana de Curitiba. Ele se reuniu com Maryane Figueiredo, diretora de Projetos e Obras da Secretaria Nacional de Transportes Ferroviários, e pediu que o governo federal intervenha junto à empresa que opera a malha ferroviária no Paraná.
A principal reivindicação é que a renovação da concessão — prevista para ocorrer até 2027 — inclua a obrigatoriedade da construção de um contorno ferroviário na Região Metropolitana. A medida visa tirar os trens de carga da área central, que há anos prejudica a mobilidade, afeta o transporte público, gera acidentes e incomoda moradores com ruídos constantes.
Trilhos antigos, problemas atuais
Hoje, os trilhos atravessam bairros densamente povoados como Cajuru, Uberaba, Cristo Rei, Cabral e Centro. São 45 passagens de nível ao longo de 37 quilômetros de trilhos. A maioria delas impacta o tráfego urbano e compromete o tempo de deslocamento de ônibus e veículos. O traçado atual tem origem ainda no período imperial, quando foi construído pelos Irmãos Rebouças.
Curitiba quer ser ouvida
Para Eduardo Pimentel, é essencial que Curitiba participe das decisões sobre o futuro da ferrovia. “Queremos fazer parte das discussões sobre a renovação da malha ferroviária e exigir soluções como contornos, trincheiras ou viadutos que eliminem esse impacto urbano”, afirmou.
Mobilidade em foco
A prefeitura tem feito sua parte, investindo em grandes obras como o Inter 2, o Ligeirão Leste-Oeste, o viaduto Curitiba-Pinhais e trincheiras na Estação São Pedro. Mas o prefeito reforça que a solução para o transporte ferroviário também precisa vir do governo federal, responsável pela concessão.
Pressão política e articulação nacional
Pimentel participou ainda da 87ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), onde cobrou o governo federal pela compensação das gratuidades no transporte público. Só com a gratuidade dos idosos, Curitiba arca com R$ 110 milhões por ano — cerca de 11% da arrecadação do sistema.
Na mesma reunião, ele destacou a importância da união dos municípios nas discussões sobre o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá ISS e ICMS com a Reforma Tributária.



