O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os materiais apreendidos na nova fase da Operação Compliance Zero sejam enviados diretamente para a Corte, onde ficarão lacrados e sob custódia até nova decisão. A medida atinge itens recolhidos pela Polícia Federal (PF) no inquérito que investiga o Banco Master e pessoas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A ordem foi dada no despacho que autorizou a deflagração da operação e estabelece que celulares, documentos e outros bens não sigam, por ora, o fluxo habitual de encaminhamento à perícia da PF. Segundo Toffoli, o objetivo é garantir a preservação das provas.
Medida inédita chama atenção de investigadores
Investigadores ouvidos no caso classificaram a decisão como incomum. Em operações desse tipo, o procedimento padrão é o envio imediato dos materiais apreendidos para setores técnicos da Polícia Federal, responsáveis pela extração de dados e análise pericial.
Há preocupação, segundo fontes da investigação, com o risco de perda de informações — especialmente em celulares — caso a extração demore. Gabinetes do STF não costumam dispor dos equipamentos e das técnicas necessárias para assegurar a cadeia de custódia e a preservação adequada desse tipo de prova.
Em nota, o gabinete de Toffoli afirmou que o acautelamento imediato tem caráter provisório e que os itens “serão devidamente periciados pelas autoridades competentes”, sem detalhar quando ou como isso ocorrerá.
Críticas à PF e cobrança de explicações
Na mesma decisão, Toffoli criticou a Polícia Federal por não cumprir o prazo de 24 horas estipulado para a execução das medidas autorizadas. O ministro apontou “inércia” da corporação e determinou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, apresente explicações formais em até um dia.
Segundo o despacho, o atraso pode ter comprometido a eficácia das diligências e permitido a descaracterização de provas relevantes. Toffoli destacou que a operação havia sido autorizada na segunda-feira, dia 12, mas só foi efetivamente deflagrada após novas verificações feitas pela PF.
A corporação argumenta que precisou checar endereços atualizados dos alvos e solicitar medidas adicionais, como a busca na residência de Daniel Vorcaro e a prisão temporária de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro.
Prisão em aeroporto e alvos da operação
Fabiano Zettel foi preso por agentes federais no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para o exterior. A defesa afirma que a viagem tinha finalidade empresarial e que o empresário possui atividades lícitas, sem relação com a gestão do Banco Master.
Toffoli justificou a prisão temporária ao afirmar que a liberdade do investigado poderia prejudicar a coleta de provas e o cumprimento de outras diligências, além de viabilizar eventual saída do país.
Ao todo, a Polícia Federal cumpre 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Além de Daniel Vorcaro, são alvos da operação a irmã dele, Natália Vorcaro, o cunhado Fabiano Zettel, um primo, Felipe Cançado Vorcaro, e o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro.
A defesa de Vorcaro informou que o empresário tem colaborado com as autoridades e reafirmou confiança no devido processo legal. As investigações seguem em andamento.
📷 Sugestão de imagem: Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, ou agentes da Polícia Federal cumprindo mandados de busca e apreensão.

